
Dois minutos para as três da manhã. O tic-tac do relógio enchendo a minha cabeça, o cigarro em cinzas sem ser tragado nem uma vez ainda brilhando em brasas no cinzeiro. Escuro pra que? Ninguém mais veria meu rosto lavado de lágrimas.
Acender outro cigarro. Por que, se nem havia tocado o primeiro? Acender outro cigarro, ainda assim.
A cama estava vazia e os lençóis revolvidos… era exatamente assim que minha cama tinha estado nos últimos anos. Vazia. E algo fazia falta… alguém fazia falta.
Um dia me disseram que para escrever alguma coisa tínhamos que, previamente, ter em mente começo, meio e fim.
Eu nunca quis ser escritor, então que as regras da escrita me perdoem. Minhas redações nunca atingiram as expectativas dos professores, eu acho… e talvez eu esteja cometendo um sacrilégio ao torturar verbalmente olhos e intelecto alheio, mas realmente peço que me perdoem. Eu precisava desabafar para alguém mais além das paredes, elas não têm ajudado muito. Não emitem nem sequer um ruído de compreensão aos meus desabafos.
O maior problema é que me sinto tão cansado… chego a pensar que, de que vale lutar pelo amor se, até hoje, tudo o que ele me trouxe foi a dor? De que adianta crer que coisas boas acontecerão se até hoje tudo só deu errado? Por que crer em encantos sabendo que quem eu quero é imune aos meus feitiços?
Encolhido em um canto do quarto, de madrugada, com um cigarro aceso entre os dedos, o rosto lavado em lágrimas e observando a cama vazia onde um dia ela dormiu (ou esteve acordada) em meus braços, eu cheguei a conclusão de que uma bala no crânio seria menos dolorida do que o pensamento contínuo, cortante até, que permanecia nela, nos nossos momentos, na vida que poderíamos levar juntos.
Alguém me receite um remédio, um veneno... Um veneno que remedie ou um remédio que me envenene, que seja... Qualquer coisa que não me faça pegar a Glock na gaveta para parar de pensar nela.
É assustador quando um tiro na cabeça parece doer menos do que nossas mágoas.
Damien
@Demon


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