
E aqueles olhos tão expressivos não me diziam nada. Antes eles eram capazes de falar por ela e hoje estão mortalmente mudos.
Eu procurava ali, calado, por algum brilho, alguma expressão. Mas nada surgiu naqueles grandes olhos, que me criavam tantas expectativas, assim como um telão de cinema para uma criança. Estavam friamente inexpressivos. Quanta dor o barulho daquele silencio me causava.
Procurei mais uma vez pelo olhar quente acolhedor, não o achei, estava frio. Procurei mais uma vez pelo olhar de desprezo, mas só encontrei indiferença, continuava frio. Apreensivo, procurei mais uma vez por algum sinal de qualquer sentimento, mas só encontrei a frieza rígida em sua forma mais dolorosa. Aqueles olhos continuavam frios.
De repente, comecei a retornar a realidade, percebi a agitação do entra-e-sai de médicos e o barulho de um longo ‘pi’ ao fundo.
Mergulhei mais uma vez naqueles olhos gélidos a procura de algum milagre, voltando mais uma vez de mãos vazias. Só então estiquei o meu braço, vendo que não havia mais nada a ser feito, e abaixei suas pálpebras.
@Demon


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