
Olá queridos seguidores cof cof 2. Eu sou a Demon e vim aqui para postar a parte de um livro que eu gosto muito. Ele se chama : Os Dragões não conhecem o paraíso- Caio Fernando Abreu.Eu encontrei um trecho desse livro do qual gosto muito particularmente. Estava eu muito feliz alegre e sorridente não, até que entro numa das minhas comunidades preferidas, momento merchandizing, enfim... estava eu num momento de desvaneio olhando as coisas bonitas que eles postaram lá, até que me deparo com o trecho desse livro.
Não preciso nem falar que me apaixonei *--*'
tá ai:
'Para se ler em dia de chuva
Foi em uma daquelas tardes chuvosas, em que não sabemos se corremos ou esperamos tudo passar, que eles se encontraram. Ela caminhava sem rumo, só sabia que não voltaria mais, tinha apenas um destino para seguir. Ele estava atrasado, e sabia bem para onde queria ir. Ambos esperavam que a chuva passasse, mas não sabiam se teriam paciência para isso. Ele estava sob aquele pequeno telhado da banca de jornal quando ela chegou segurando uma rosa, completamente molhada. Ela abraçou seu próprio corpo tentando manter uma certa temperatura suportável, mas sentia o vento gelado rasgar sua pele, ele olhou para o lado e sentiu um calor subito tomar conta de si, ela era linda e cada gota d'água presa em ser corpo cintilava, quase o cegando. Ficou observando-a durante um tempo, até que percebeu que ela falava com ele.
- O que foi?
- Nada, nada.
Ele tirou seu casaco e enquanto colocava ele nos ombros dela, perguntou:
- Qual seu nome?
- Eu não tenho um nome, eu nem mesmo existo.
- Eu posso tocá-la, então você existe. Acredita em amor à primeira vista?
- Não.
- Eu também não acreditava.
- O amor não existe, ele não passa de uma mentira criada por alguém que queria prender outro alguém. Foi uma mentira tão bem contada que até mesmo os que se diziam tão espertos foram pegos. Mas aqueles que sabem toda a verdade não caem nessa armadilha. Já lestes algum poema de Shakespeare dedicado a sua própria mulher? Não, porque ele nunca escreveu para ela. Ele escreveu para muitas mulheres e homens também, mas ele nunca amou, nenhum deles, ele apenas os desejava, e os tinha, porque usava a velha mentira do amor.
- Você fala como se nunca tivesse se apaixonado.
- A paixão é diferente. Aliás, a paixão sim existe, talvez, se ele existir mesmo, o amor é só o que sobra da paixão, é o resto de tudo o que queimou um dia, talvez o amor seja a necessidade e a paixão o querer, o amor contrói o que a paixão destrói. A paixão é como a chuva, somos avisados de que ela virá, mas olhamos para o nosso próprio céu e acreditamos que sabemos exatamente quando ela vai chegar e que podemos controlar sua chegada, mas não podemos. Então somos pegos desprevenidos, olhamos ao nosso redor e vemos algumas pessoas secas, achamos que elas são mais espertas que nós por carregarem guarda-chuvas, por terem uma proteção contra a paixão, mas se analisarmos bem, eles também estão molhados, porque não há nada que possa nos proteger totalmente da chuva, da paixão. E quando a chuva cai, e ela sempre cai, corremos procurando proteção, mas aí é tarde, já fomos atingidos.
- Então acredita que pode ser pega por uma paixão assim como pode ser pega pela chuva?
- Sim.
Ela o abraçou e o beijou. Por instantes eles só ouviram o barulho da chuva, que parecia música, em seguida ela se afastou e sorriu dizendo:
- Eu passarei apenas alguns minutos perto de você, mas você lembrará para sempre de mim.
- Por que você fez eu me apaixonar por você se é para não me amar depois?
- Porque não quero que me ame, quero ser apenas uma paixão sua, nem que eu seja isso apenas por um dia. Quero que seu desejo por mim arda, que faça feridas, que faça sofrer, quero ocupar sua mente noite adentro enquanto rola na cama sem conseguir dormir, quero que eu queime em você e não apague aos poucos. Quero ser eterna, em você.
Entregou a rosa a ele e correu em direção a rua. Ele tentou puxá-la, sem sucesse, afinal, “é difícil aprisionar os que tem asas”*.
- Me deixe saber ao menos seu nome!
- Não precisará me chamar nunca, eu serei sempre a ferida mais latente em seu peito.
Foi quando a violência do trânsito selvagem fez mais uma de suas vítimas que ele sentiu o que ela quis dizer. Vendo o vermelho do sangue dela se misturar com o cinza do asfalto que ele percebeu que o que mais sangrava no momento, era seu peito. Ele sabia que daqui algumas horas a morte dela, que agora deixará todos ao redor aterrorizados, seria esquecida, a chuva já levava tudo embora e em pouco tempo, não restariam vestígios dela.
Ele caminhou algumas horas até chegar ao seu destino, sua esposa o esperava sentada em frente a casa, ela correu para seus braços, abraçou ele como se não o visse a muito tempo. Ele sentiu o perfume dos cabelos de sua mulher, respirou fundo e sussurrou:
- Eu preciso de você.
Estendendo a mão com a rosa lhe entregou dizendo:
- Para o amor da minha vida. '
Linds *--*' e concordo plenamente, paixão deixa feridas u_u'